quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A União do Drama com a Educação

Desde muito cedo, que as Ciências de Educação fazem parte das áreas científicas que se estenderam com
maior evidência à Educação Artística e que por essa mesma via, têm vindo
a intervir e a influenciar significativamente o ensino do Teatro, 
quer nas escolas do ensino básico e secundário quer nas universidades.



Actualmente, a Educação Artística e as Ciências da Educação são um palco de uma forte articulação com grande incidência ao nível didáctico e pedagógico do ensino em geral, contribuindo não só para a inovação educacional, como em outros diversos campos de acção, com a oferta de licenciaturas em ensino e cursos superiores de especialização em Educação Artística, Educação pela Arte ou mesmo na área da Intervenção Comunitária. É neste contexto que, no século XX, a maioria dos especialistas destas áreas, defendem esta articulação, pelo seu carácter essencialmente lúdico. Instalava-se assim, a união do Drama com a Educação - Expressão Dramática. A terminologia tem evoluído, consoante as múltiplas correntes pedagógicas, fundamentadas nas teorias expressivas em que instinto, emoção e exteriorização eram os pontos fulcrais desta corrente do pensamento pedagógico e artístico. Em Portugal:
        Nos anos 50 e 60, com o surgimento da Educação pela Arte, este modelo de fazer Teatro sofre alterações ao nível da didáctica, tendo sido dado mais relevo ao desenvolvimento de emoções, fundamentada pelas teorias expressivas. O instinto, a emoção e a sua exteriorização tornam-se assim, estímulos da criatividade e pontos fulcrais desta corrente de pensamento pedagógico e artístico.


            Nos anos 70, surgem novas tendências educacionais com uma forte ligação às técnicas artísticas, como a criação e institucionalização da disciplina de Educação pela Arte generalizada, fundamentada numa Psicopedagogia das Expressões Artísticas, de forma a integrar o Ensino Artístico no sistema educativo português. O objectivo propunha à criança o desenvolvimento da criatividade e espontaneidade com livre acesso às actividades artísticas, “como forma de contribuir quer para o seu equilíbrio físico e emocional, quer para o seu aproveitamento escolar” (Santos, 1996:24).


            Nessa altura, já os pedagogos Arquimedes Santos e João Mota, entre outros, defendiam a Educação pela Arte, tentando encontrar uma ambivalência que, por um lado, promovesse a sensibilização e o desenvolvimento artístico e, por outro, proporcionasse um desenvolvimento global do indivíduo, relacionando competências ao nível dos domínios sócio-afectivo, cognitivo e motor. Estas influências encontram maior relevo na fase da Pós-Revolução do 25 de Abril, período de enorme tomada de consciência educativa e artística, e que impeliu a necessidade urgente de reformas abrangentes e amplas nestas áreas.


            A partir daqui, o ensino das Oficinas de Expressão Dramática/Teatro no sistema de ensino básico e secundário português tornou-se uma referência, com a inserção do Drama, Música e do Movimento, que com outras designações (Expressão Dramática, Musical e Corporal) se mantiveram estanques durante trinta anos. Nesta altura, tal como aconteceu em todos os sectores da vida nacional que sofreram uma profunda transformação, também as áreas culturais, artísticas e científicas depararam com um processo de profunda transformação e mudança. No entanto, esta rápida inclusão de novas reformas teve consequências pouco sólidas, que ainda hoje se verificam na vida social portuguesa, quer ao nível ético e moral, quer ao nível social, educativo e artístico. 


            Nos anos 80, foi integrada uma disciplina de opção artística de Teatro no 3º Ciclo, somente como oferta de algumas escolas. Contudo, persistem os problemas aliados à ausência de medidas legislativas justas e concretas, como a formação e colocação de professores especializados da área do Teatro.

workshop no II Congresso Regional de Educação Artística:  Ensinar ou brincar ao teatro?

        Nos anos 90, o cenário de precariedade continuou a ser o mesmo, com o documento orientador da reforma do ensino artístico especializado a constatar e a alertar para a necessidade de discutir a ausência de uma política coesa para o desenvolvimento da Educação Artística, tendo vindo a sofrer constantes alterações, conforme os programas de diferentes governos e reformas educativas, prejudicando assim, todo um clima no processo de ensino-aprendizagem inerente à especificidade desta Área.
Em pleno séc.XXI, aqui ando eu, ainda a acreditar profundamente que a Educação Artística não é um Drama, mas sim uma Ciência voltada para a dimensão espiritual do Belo e do Bem.    

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