sábado, 12 de março de 2011

A Criatividade (I)

A Criatividade está presente em todas as áreas da nossa mente e do nosso ser e, é o melhor exemplo da natureza dinâmica da nossa inteligência, partindo do princípio, que não há pessoas mais inteligentes do que outras. Existem é pessoas com maior competência técnica e intuição criativa para superar determinados problemas ou situações de conflito individuais e colectivos.
A Criatividade é movida pelas nossas paixões e aptidões individuais. Quando gostamos daquilo que fazemos, não aplicamos toda a nossa energia e criatividade sem limites nos nossos projectos? Quando gostamos verdadeiramente de alguém, não investimos todas as possibilidades e alternativas para a obtenção de um propósito amoroso?
A Criatividade é um passo dado para além da imaginação. Tal como no amor, é um passo dado no escuro. Requer que façamos algo, em vez de ficarmos de braços cruzados a pensar num determinado assunto. Esta reflexão, vem a propósito de um convite efectuado ao grupo de Teatro Experimental- Ideias do Levante, no qual sou encenador, para participarmos numa Gala Cultural no Auditório Municipal de Lagoa. Nessa altura, não tínhamos nenhuma peça de teatro pronta, nem o elenco todo completo para a peça que iríamos estrear. Faltava-nos o noivo(!) de Um pedido de Casamento, de Tchekov.

Nestas situações é complicado negar a nossa participação a quem nos patrocina e nos apoia. Na Cultura e nas Artes, os meios são sempre tão escassos...Tinha de gerir a situação!
Ou melhor, há que criar ideias novas, remover resistências e arregaçar as mangas: A solução encontrada foi, o encenador actuar de noivo e improvisarmos os diálogos, pegando nos subtextos (intenção), e a cena de representação (10-15 min.) foi toda improvisada. Nem sapatos ainda tínhamos para os noivos! O resultado foi espantoso, ao mergulhar num processo criativo completamente imprevísivel, num auditório completamente esgotado. No fundo, o que aconteceu foi um equilíbrio de actores- público, através de uma aceitação interactiva. Quando as pessoas gostam de algo, não avaliam de imediato essa mesma coisa- aceitam-na.
Hoje, estou convencido, que são estas situações que nos ajudam a pensar e a agir de maneira diferente. Saímos do comodismo e do formato habitual. É o que acontece ainda hoje muito nas escolas. Em Expressão musical, as crianças passam aulas e aulas nas mesmas escalas de guitarra e flauta. Na Educação Visual - ai deles que não dominem a perspectiva ou pintem fora do círculo.
Até na Matemática isso acontece. Mesmo que hoje em dia, já se ensine de maneira muito diferente, da que aprendi- era um esquema interminável de fómulas que já tinham uma solução, e em que as minhas únicas hipóteses era acertar ou errar. Deixei de gostar de Matemática, e logo me catalogaram- Tu és bom é para as Artes! Poucos são os professores que arriscam mais nos alunos. O mais importante nas reuniões de avaliação, é que as tabelas e os cronogramas de critérios de avaliação batam certo à centésima.
Pois, voltando à minha história desta Improvisação de Teatro, aparentemente insignificante para alguns, talvez mais importante para as mentes criativas, só pretendo realçar que a receita esteve em três pessoas de personalidades e profissões diferentes, mas que agiram com um propósito comum: Todos eles gostam muito do que fazem. Todos eles estavam disponíveis. Todos eles revêem-se no Teatro.

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