Há anos que me pergunto a mim mesmo:
Como se avalia uma peça de teatro? É pelo vigor das palmas? Ou pela ovação do público, que recebemos no final do espectáculo?
Ou será pelos inúmeros
parabéns que recebemos dos amigos, simpatizantes do Teatro, dos nossos familiares e até dos profissionais ligados à Cultura (e aos subsídios)?
Honestamente, prefiro que não me digam nada. Dêem um tempo a si próprios, para digerir as ideias e a conceptualização do espectáculo em sintonia com as suas próprias convicções e emoções estéticas, éticas e também técnicas – Aproveita-se muito mais, porque no Teatro não se deita nada fora! Ou também damos os parabéns a um arquitecto depois de elaborar mais uma planta de um edifício, ou, a um contabilista que terminou mais uma escritura, ou, a um padeiro que acabou de fazer mais um pão?

Esta questão, ainda me inquietou mais, quando ontem após mais uma estreia de uma produção teatral minha, uma amiga me perguntou
: Então e o que diz o encenador? – Respondi-lhe: Foi estranho. Ficaram todos em silêncio, a olharem para mim - actores e amigos.
É que ao fim de alguns anos, com algum repertório de teatro acumulado e investimento contínuo em estudos teatrais, começo a reflectir mais sobre o estado das coisas…A este estado, uns chama-lhe de velhice, outros, de maturidade. Outros tantos, de sabedoria. Fiquem com o que gostarem mais.
O que eu sei, é que a maioria dos intervenientes de teatro, não têm uma ideia concreta do teatro, nem definem um caminho. Tudo se faz ao sabor do vento, das vontades e das disponibilidades da vida de cada um. Experimenta-se tudo. Improvisa-se tudo. Qualquer pessoa que tenha uma ideia gira pode encenar. Não importa a idade, a experiência e a formação. Se houver uma estratégia da comunidade cultural a garantir as despesas, ainda melhor.
Paralelamente, em vez de se mobilizar forças e iniciativas para reunir encenadores, actores, cenógrafos, técnicos de luz e de som para discutirem a sua condição de profissionais de teatro, organizam-se feiras da cidadania e mostras de teatro escolar e amador, com extensos programas de actividades e de peças em jeito de catalogação de fim-de-semana. Não convém faltar umas barraquinhas de comes e bebes, para os intervalos, não vá o “português” morrer de fome ou de sede.
Será que estes meios são propícios para se fazer e entender Teatro na íntegra? É neste contexto que podemos averiguar se o público de teatro, sabe avaliar o que é presença activa, projecção de voz e verdadeiramente contracenar?
O facto é que o teatro, ao longo destes anos todos, vai resistindo a tudo e a todos. As pessoas não: Umas vão saindo, ou porque não se aguentam neste cenário absurdo, ou porque o teatro não consegue alimentar uma família.
O que vale, é que ainda existem alguns resistentes, que ainda têm vontade de tratar o teatro a sério…Que não seja só de entretenimento de massas, mas que especialize os interessados e eduque os curiosos.
Que venham muitas mais peças, em que o elogio seja merecido. Nem que seja com o silêncio.