
No primeiro dia da formação, antes de entrar na sala, perguntei à Dra. Natalina Santos, enquanto coordenadora do Gabinete de Educação Artística e, participante nesta acção de formação, que sendo o grupo-alvo na sua maioria professores e animadores de projectos artísticos nas escolas, se não deveria encaminhar os objectivos da mesma, tendo como base a aplicação de exercícios e desenvolvimento de competências pedagógicas e artísticas através da Expressão Dramática. Nessa altura, desconhecia por completo, a excelente estrutura de apoio que está montada e disponível a esses técnicos de Educação Artística. A resposta da então formanda, foi de imediato, com conhecimento de causa: Não, não. Dê-nos teatro! A gente quer teatro!Assim que reuni com os 19 formandos para as respectivas apresentações, vi no olhar daquelas pessoas, uma enorme disponibilidade para a aprendizagem. Diáriamente o aquecimento era realizado em círculo, como meninos (as) que se sentam numa roda, disponíveis para ouvirem ou contarem uma história. No sentido concreto e não transcendental de acções no teatro. É, no teatro vê-se tudo. Não dá para enganar. Isto não é só experiência. É também ciência comprovada.
E assim foi até ao fim. Todos diferentes, todos iguais. Uns mais disponíveis. Outros com as suas defesas. Uns com a ingenuidade de uma criança. Outros recheados de fugas e truques que vamos adquirindo inconscientemente durante a vida. Também no teatro. Aquilo a que chamamos de máscaras sociais.
As sessões foram iniciadas sempre em círculo. Curiosamente, também senti que na Madeira, circular para além de obrigatório, é saudável. Desde do acolhimento por parte das pessoas, à dinâmica que envolve aquele gabinete de Educação Artística até à disponibilidade para a aprendizagem de exercícios, circular, foi a base da formação. Simplesmente olhar uns para os outros. Um outro exemplo disso mesmo foi o exercício de integração - Axé- Axé.Ninguém foi obrigado a nada. Foram todos solicitados. No teatro, ao contrário da vida, somos convidados a parar. Ou seja, a estarmos ali inteiros e indefesos. Isso leva-nos muitas vezes, à insegurança. À falta de concentração, à fuga suprema de nós - tentando por múltiplas vias criativas e expressivas, “querer fazer tudo bem” ou querer “conseguir” dar uma imagem de sucesso aos outros, esquecendo que é precisamente nestas situações que ficamos presos a uma imagem nossa sem (re)criação artística. Eu julgo que sentiram e aprenderam isso. Conversámos e, sentimos todos a necessidade de mais tempo para reflexões pedagógicas.
A interpretação teatral, no meu entender, tem de ser fiel a si próprio e às premissas do encenador ou texto. O actor tem de entregar, com tudo de bom e de mau que ele possa ter. Por isso é que factores da cumplicidade, humildade e confidencialidade, são muito importantes na minha ética do teatro. Aliás, a melhor avaliação do vosso exercício final, foi de uma menina chamada Catarina que disse: “Não percebi muito bem a história, mas pareciam actores de verdade!” Sem grandes adereços e figurinos, conseguiram por breves momentos, travar a respiração da senhora do bar das instalações. Conseguiram arrepiar-me e fazer-me sentir orgulhoso do trabalho desenvolvido. Até uma próxima oportunidade!











